sábado, 24 de abril de 2010

Mar

Tenho uma janela
que dá para o mar
O mar está perto
fremente de espuma
As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...

Ondas tombando ininterruptamente
Nas vastas águas que as remadas medem
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim

Que momentos há em que suponho:
ser a concha das praias,
ser a vaga perdida,
ser o peito sequioso
Que em vão chama, em vão procura
O inconsciente imortal

Donde vem essa voz, ó mar amigo?
Talvez a voz do Portugal antigo.

Ó mar salgado!
Puríssimo. Doirado

Filomena Martins, Alexandra Magalhães, Glória Campos

Faz de conta…


- Faz de conta que sou pássaro
- Eu serei uma alta árvore

- Faz de conta que sou sol
- Eu serei apenas girassol

- Faz de conta que sou mar
- Eu serei barco a navegar

- Faz de conta que sou sereia
- Eu serei teu marinheiro
Teu canto ouvindo, ouvindo…
E encantado por ti vezes sem conta

Faz de conta, faz de conta.

Glória S.
(24/04/2010)

O Verão



Quente, quente, quente
Vai chegando o Verão

Já traz os calções,
Toalha e chapéu
Vem afoito p’la praia
Olhando para o céu.

Esqueceu os óculos
Que na areia pousara
Foi lá procurá-los
Uma onda os levara.

Traz consigo o sol
Bom tempo e calor,
Sabe bem a frescura
Sabe bem o amor.

Quente, quente, quente
Chegou o Verão.

Glória S.
(24/04/2010)

Humor e Amor com” Gosto/ Não gosto”.





Gosto das acções de formação. Não gosto de ficar na cama ao sábado de manhã. Gosto do nome Gracinda. Não gosto do nome “Lourdes”. Gosto da casa do professor e da hora do pequeno almoço. Não gosto do sábado à tarde. Gosto de fazer poesia e de recriar. Não gosto de portefólios e de objectivos. Gosto de ensinar. Não gosto de avaliar. Gosto de voar e de voos seguros. Não gosto de me alçar em aventuras políticas. Gosto de quase todas as histórias infantis. Não gosto da história do Pinóquio. Gosto de sapatos engraxados. Não gosto de engraxadores. Gosto da Gracinda. Não gosto de “jobs for the boys”. Gosto de gostar. Não gosto de não gostar. Gosto de partir. Não gosto de ficar. Gosto de “poesia, da música e da dança”. Não gosto da pedofilia e da aridez que cansa. Gosto de crianças de todas as idades. Não gosto de adultos que não sejam crianças. Gosto da simplicidade. Não gosto da arrogância. Gosto da liberdade. Não gosto de mordaças. Gosto de Abril. Não gosto de desgostos. Gosto de armas com cravos. Não gosto de sangue. Gosto da Primavera. Não gosto da morte à janela.

Paula, Fernanda, Glória, Isabel.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ConSerto para ConCerto:Poesia


Concerto com 4 cordas

Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Que é a poesia?
Uma ilha
Cercada
De palavras
Por todos
Os lados.
Mas não sou o poeta, o nobre doido que julgais,
Como os poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos

Não tenhas medo, ouve:
Todo o tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
À névoa do outro dia.

Não tenhas medo
E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…

E diz assim: “É preciso saber olhar…”
E diz assim
Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
E diz assim
Olho-me e comovo-me
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado.
E diz assim
No prato da balança um verso basta
Fala poesia!

Ah! Decidi que vou ser poeta.
E não tenho medo.
A poesia é a infância reencontrada
E o silêncio não está mais próximo da paz que os poemas.

Isabel, Paula, Glória e Fernanda
(27/3/2010)

Consertos para concertos


Há que explicar.Quem por aqui passar e for leitor de boa poesia dirá: Como se atreveram? Estes versos têm dono.É verdade!Trata-se apenas de um jogo poético. Decidimos visitar os poetas de quem gostamos e de cada um retirar as notas mais encantatórias. Quisemos tocá-los a nosso gosto, consertando-as. Nasceu uma nova sinfonia ,mas as partituras originais nada nem ninguém as destruirá.

Quem confessa tem perdão...

Gracinda

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tarefa número Três


Vocação

Adoraria que as crianças me perguntassem
Se gosto de ser quem sou,
Que arregalassem os olhos
Com mansidão tom de mel:
Que gostarias de ser?

E eu responderia:
Queria ser fadalogista
Ter varinha de condão
Desvendar a raiz da dor
Das crianças inquietas
Aquietar-lhes os medos,
Com aves e borboletas
E certas palavras secretas:
Espuma, ondas e mar...

Elas ficariam desconfiadas
Mas eu, fadalogista,
Pedir-lhes-ia licença para as encantar
E levá-las-ia para a terra dos sonhos
Onde apenas se ouvissem
Os chilreios dos seus sorrisos
E a música feliz das suas palmas.

Elas ficariam entregues à alegria
E eu, fadalogista,
Pedir-lhes-ia licença para sair
Porque tinha outro feitiço para cumprir.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Concerto de " Um Conserto" para (A)Mar!




Deixa contar…
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
Desliza o barco, sem que se conheça
Que o espaço ou tempo existe noutra vida.
Ondas tombando ininterruptamente
E há um mar imaginário aberto em cada página
E eu quero o teu nome escrito nas marés
De vaga em vaga,
Mar…
Sob o Sol com passo incerto…
Sê tu sombra de palmeira,
Sê-me tenda do deserto!
Mundo silencioso
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço,
E na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios.

Valeu a pena? Tudo vale a pena,
Minha gárgula da vida,
Meu eterno mar.
Longamente esperei que teu vulto
Rompesse o nevoeiro.
Se a minha terra é pequena
Eu quero morrer no mar
Chamando por Camões numa saudade!
Claro, jovem, alado, puríssimo, doirado,
Barcos a sair, barcos a entrar
Provo-me e saibo-me a sal
Não se nasce impunemente
Nas praias de Portugal.
Sabíamos do mar?
Sabíamos o mar.
Sabíamos amar.
Por isso, nas horas mais tranquilas, entre falésias
Dedico-me a essa ocupação de recolher o que as marés
Trazem às praias, como se fosse ao coração.
Falésias, rebentação das ondas
Novelos de espuma à roda,
Clamor dos ventos.
Navios, petroleiros, nuvens, veleiros.

Ó mar salgado! Singra o navio:
Tantos naufrágios, perdições, destroços.
Mas quem passou o Bojador
Tem que passar além da dor.
Olha os meus olhos, morena,
Tudo vale a pena.
E a alma não é pequena!

Glória, Paula, Fernanda, Isabel.

terça-feira, 20 de abril de 2010

2ª Tarefa 17/4/2010


A Sonhologista

Detesto que os adultos me perguntem
“O que queres ser ?”
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver


E eu respondo-lhes:
“Quero ser sonhologista
Estudar o mundo dos sonhos
Voar pela sua atmosfera
Explorar as suas florestas de encanto,
Viver nas suas casinhas de açúcar
Aprender canções de embalar
E Sonhar…”


E eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
(ou não)
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho uma nuvem de algodão doce à minha espera.

( Fátima Mateus)

1ª Tarefa 27/3/2010


“ Os meus sonhos de criança eram doces e quentes…”

“ Os meus sonhos de criança, doces e quentes, recordo com carinho e alegria…Se o nevoeiro da solidão não me envolve, uma viagem ao passado enche-me de paz e fantasia. “
Fátima Mateus

segunda-feira, 19 de abril de 2010

GOSTO/NÃO GOSTO

Gosto de sorrisos espontâneos. Não gosto da mentira. Gosto de gente sincera. Não gosto de folclore. Gosto de me enterrar no meu puff. Não gosto de me levantar cedo. Gosto de ver um bom filme. Não gosto que falem alto. Gosto de dias solarengos. Não gosto de trovoada. Gosto de ouvir a chuva. Não gosto de sentir o vento. Gosto de comer doces. Não gosto de fazer dieta. Gosto de um bom café. Não gosto de refeições apressadas. Gosto de uma boa anedota. Não gosto de gente sisuda. Gosto de ler. Não gosto de escrever. Gosto do cheiro dos bebés. Não gosto de me sentir pressionada. Gosto de mimos. Não gosto de castigar. Gosto do campo. Não gosto da praia. Gosto do cheiro do mar. Não gosto da agressividade das ondas. Gosto de fazer piqueniques. Não gosto de formigas. Gosto de peixes e pássaros. Não gosto de répteis. Gosto de recordar a minha infância. Não gosto de pensar na morte. Gosto de crianças felizes. Não gosto de idosos solitários. Gosto de uma boa conversa. Não gosto de conversas supérfluas. Gosto de viver.

Rosa Barros
Fátima Mateus
Judite Jorge

MAR

Eu quero morrer no mar

Tenho uma janela
Que dá para o mar.
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza.
Há uma hora de fogo para o azul,
A hora em que te encontro e não me encontro…

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento…
Queria tudo esquecer, tudo abandonar
Caminhar pela noite fora
Num barco em pleno mar.

Lancei ao mar um madeiro
Espetei-lhe um pau e um lençol.
Singra o navio, sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina,
Lençóis de algas e peixes…
Felizes cantam, serenos dormem.
Nas vastas águas que as remadas medem,
Tranquila, a noite está adormecida.

Apaguei os olhos e sorri com uma lágrima.

Olha os meus olhos, morena,
Sou o peito sequioso
Que em vão chama, em vão procura,
Mas a aventura é ficar…

No dia em que tu me deixes
Eu quero morrer no mar.


Fátima Mateus, Judite Jorge e Rosa Barros.

Actividade: Conserto para Concerto de Poesia

Tempo de Poesia

Todo o tempo é de poesia,
Desde a névoa da manhã
À névoa do outro dia!

Há quem brinque …
Há quem ria…
Há quem ache esquisitice!
Mas que querem?
Todo o tempo é de poesia.

Que é a poesia?
Uma ilha…

A poesia não é um dialecto,
É talvez o sussurro de um insecto.

O que é um poeta?
Um homem que tem fome.
Há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas.

Decidi que vou ser poeta!

O poeta beija tudo
E comove-se com coisas de nada
Não serei o poeta, o nobre doido que julgais…
Mas talvez um pedreiro curioso.

Não me importo com rimas,
Olho e comovo-me!

A poesia é natural como o vento…
A poesia é a infância reencontrada

Não sou alegre nem triste:
Sou poeta!

Num prato da balança um verso basta
Para pesar no outro da minha vida.


Grupo: Fátima, Gracinda, Judite e Rosa

domingo, 18 de abril de 2010

Quero ser...

Quero ser amigologista
E estar sempre presente
Na vida daqueles que já fazem parte da minha.
Partilhar as alegrias…
As tristezas…
Quero dar uma mão, um abraço…
Ou simplesmente um sorriso…
Sempre que for preciso,
Porque tenho à minha espera um amigo!

Rosa Barros

Quero ser...


Quero ser inventarologista
Inventar um mundo novo,
novas terras, novos mares...
Quero nadar no céu
e voar no mar.
Quero apanhar estrelas
para o tecto do meu quarto
e inventar
... porque tenho à minha espera um mundo novo!
Judite

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Primavera…




Na claridade da manhã
No azul intenso do céu
No suave passar da maresia
Senti a doce Primavera.

Já se dissipou o nevoeiro,
Já nos deixou a triste solidão,
Chegou o sol, a alegria e a paz,
Chegou a vida.
Chegou a gentil Primavera.

Glória S.
(27/03/2010)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

paisagem


Posted by Picasa


Com um sol tão reverberante, os olhos pedem natureza e fogem para a verdura, espaço onde a respiração é doce", como dizia Eugénio de Andrade.Como de momento não há música, digámo-la, dizendo as palavras de Camões:


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

Postado por uma violinista fidalga que gosta muito destas andanças musicais e outras que "mais" veremos.

sábado, 3 de abril de 2010


É mês de Abril
São águas mil
Eis um acorde popular
-Voz do povo voz de Deus-
Se Deus quiser há-de vir sol
E quem espera sempre alçança
Mas enquanto vem e vai
Um sol que é e já era
No brotar da Primavera
Mais vale um ovo na mão
E um bébé no coração .



PÁSCOA FELIZ!!!!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Primeiro dia de Abril


Deste dia, diz-se ser o dia dos enganos.Não é engano o poema que vos deixo.


" Em Abril
só magnólia é palavra plena."
Francisco Duarte Mangas