segunda-feira, 19 de abril de 2010

MAR

Eu quero morrer no mar

Tenho uma janela
Que dá para o mar.
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza.
Há uma hora de fogo para o azul,
A hora em que te encontro e não me encontro…

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento…
Queria tudo esquecer, tudo abandonar
Caminhar pela noite fora
Num barco em pleno mar.

Lancei ao mar um madeiro
Espetei-lhe um pau e um lençol.
Singra o navio, sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina,
Lençóis de algas e peixes…
Felizes cantam, serenos dormem.
Nas vastas águas que as remadas medem,
Tranquila, a noite está adormecida.

Apaguei os olhos e sorri com uma lágrima.

Olha os meus olhos, morena,
Sou o peito sequioso
Que em vão chama, em vão procura,
Mas a aventura é ficar…

No dia em que tu me deixes
Eu quero morrer no mar.


Fátima Mateus, Judite Jorge e Rosa Barros.

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