
Vocação
Adoraria que as crianças me perguntassem
Se gosto de ser quem sou,
Que arregalassem os olhos
Com mansidão tom de mel:
Que gostarias de ser?
E eu responderia:
Queria ser fadalogista
Ter varinha de condão
Desvendar a raiz da dor
Das crianças inquietas
Aquietar-lhes os medos,
Com aves e borboletas
E certas palavras secretas:
Espuma, ondas e mar...
Elas ficariam desconfiadas
Mas eu, fadalogista,
Pedir-lhes-ia licença para as encantar
E levá-las-ia para a terra dos sonhos
Onde apenas se ouvissem
Os chilreios dos seus sorrisos
E a música feliz das suas palmas.
Elas ficariam entregues à alegria
E eu, fadalogista,
Pedir-lhes-ia licença para sair
Porque tinha outro feitiço para cumprir.
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