domingo, 30 de maio de 2010

Poema de Graç(a) (L)inda


Os violinos tocam e a música acorda ao raiar do dia
Ao som dos acordes as manhãs são líricas
Soltam-se versos e faz de conta que o tempo é uno
Uma garçalinda quase silenciosa nos repousa
Maria é a garça ou talvez graç(a) (a)inda
E os concertos lavam as horas
Onde os poetas moram na eternidade
Das palavras brancas de cal e mar
Inventam-se animais estranhos
Consertam-se sílabas e gostos
Serenamente
Nas calmas manhãs da Primavera
Onde a poesia é uma ilha cercada
De sabores por todos os lados
Gosto diz a sílaba
E a música escuta o bater do coração
Como o crepitar da casta(nha)
No calor apetitoso da (la)eira
No frio rigoroso do Inverno
Os violinos tocam
Solta-se a música
O coração arde
O tempo voa
A ave canta
O violino soletra
Sou poeta.

Obrigada, Gracinda!


Mil acordes de beijos dos violinistas de 2010 – Casa do Professor-

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Adivinha...

Quem é? Lá vai o marado!
Lá vai o marado!

Não conheces? Aquele que caminha com as mãos no chão e os pés no ar; aquele funçanhudo que se mete na vida alheia.

Habita no sítio onde menos esperas:
- Na superfície gélida e escura;
- Na crapulíce dos imbondeiros;
- Na agreste selva sana;

Observa com ar desconfiado e sinisvesgo
- Ao ataque! Não me escapam! Macacos me mordam!

- Vamos dar de frosques!
- Vamos dar de frosques!

Pesaroso, mergulha na relva a choramingar, e esperando o consolo dos seus progenitores:
Macaco, Girafa e Doninha.

Se fôr côr, é a côr de girafa quando foge
Se tiver cheiro, cheira a ovos podres
É aveludado como os espanadores de pele de pêssego

Hafrim! Hagrim! Hum! Hum!...

Quando assado ou preparado de qualquer outro modo, sabe a línguas de perguntador.

Filomena Leão Martins, Alexandra Magalhães, Júlia Ferreira e Glória Campos
24/04/2010

Definições

As estrelas são
As janelas do universo

As janelas são
Fontes de luz

As fontes são
Lágrimas que caem

As lágrimas são
Rios que transbordam

Rios são
Desejos reprimidos

Os desejos são
Estrelas cadentes

As estrelas são
A janela do universo

Filomena Leão Martins
15/05/2010

ConSerto para ConCerto

Que é a poesia?
Tu dirias
Uma ilha
Sob a cúpula sombria
Sob o arco da aliança
Todo o tempo é de poesia

Sou poeta
Penso e escrevo como as flores têm côr
Um misto de oração e de feitiço
Eu canto porque o instante existe
Não sou alegre nem triste
E a minha poesia é natural
Como o levantar-se o vento
Isto não é silêncio...

Silêncio insurecto!
deixem falar os poetas
Eu preciso de pôr
A minha alma no trabalho
Olho-me e comovo-me
Sou talvez o pedreiro curioso
Quando a única coisa artística
É a terra toda!

Filomena Leão Martins, Alexandra Magalhães
27/03/2010

A Carta

Lembro-me tão bem...
A tua imagem, o teu carinho
As histórias contadas
Antes de adormecer...
Sono embalado
Com as carícias mornas
Despertando em mim
Serenidade, bem-estar
A falta que me fazes...

Filomena leão Martins
08/05/2010

Coro dos Marinheiros

Esta vida de marinheiros está a dar cabo de mim
ta...ta...ta...ta...ta...ta...

É tão rica a nossa vida
é tão cheia de aventuras

Em cada porto de abrigo
Uma sereia murmurando
Palavras recheadas de ternura...

Sob o sol abrasador
No cávado, as amarras soltamos
Desejosos de partir
Nem dos oceanos nos importamos
Rumo ao largo Oceano
A viagem encetamos
E o nosso hino cantamos

Esta vida de marinheiros está a dar cabo de mim
ta...ta...ta...ta...ta...ta...

Remoinhos, vagas, monstros marinhos
Tempestades, trombas marítimas
Adamastores, com coragem enfrentamos
Ansiosos por as sereias abraçarmos
Enfeitiçados pelo seu canto
Para uma ilha nos dirigimos
Mas chegados lá, não as avistamos
E com uma medonha figura
Nos deparamos
Cabelos desgrenhados, barba hiresuta,
Andrajosas roupagens trajando
Olhos brilhantes e ansiosos
A sua história nos foi narrando...

Esta vida de marinheiros está a dar cabo de mim
ta...ta...ta...ta...ta...ta...

Ao mar alto regressamos
De Robinson acompanhados
Pelo astrolábio orientados
A nossa rota reencontramos
A tal ilha que sonhámos
De longe a vislumbramos
E com saltos de alegria festejamos
E eis que de repente
Do canhão troou
E os nossos corações abalou
Negras hastes se aproximaram
E os piratas nos atacaram.

Esta vida de marinheiros está a dar cabo de mim
ta...ta...ta...ta...ta...ta...

Depois de sanguinário confronto
Vitoriosos ficamos
E para a desejada ilha
Alegres nos encaminhamos
Soberbas praias, águas cristalinas
Vegetação luxuriante
Inquietos aportamos
De novo o canto da sereia escutamos
Sensuais abraços nos enliaram
E para as suas alcovas nos convidaram

Esta vida de marinheiros está a dar cabo de mim
ta...ta...ta...ta...ta...ta...

Filomena Leão Martins, Alexandra Magalhães, Júlia Ferreira e Glória Campos
08/05/2010

Poema seleccionado sobre "O Mar"

Viver na Beira-Mar

Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.

Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostsos - Ecos"

Filomena Leão Martins
17/04/2010

Gosto, Não Gosto...

Gosto de passear. Não gosto de pessoas fingidas. Gosto do silêncio. Não gosto de barulho a martelar os meus ouvidos. Gosto de saborear. Não gosto de preguiçosos. Gosto de recordar. Não gosto do frio e da chuva. Gosto de oferecer. Não gosto da pobreza. Gosto da Primavera e do Outono. Não gosto do excesso de calor. Gosto de dormitar à frente da lareira. Não gosto que me acordem. Gosto que a preguiça me abrace de vez em quando. Não gosto da falta de lealdade. Gosto do cheiro a tinta no papel. Não gosto do domínio das novas tecnologias. Gosto de ouvir, apreciar, rir, brincar, saltar, mergulhar e conviver. Não gosto do sabor amargo das palavras. Gosto de tequilla "sunrise". Não gosto de whyskey. Gosto de andar descalço na areia. Não gosto de filmes de terror. Gosto do cheiro da maresia. Não gosto de moscas. Gosto do cheiro da sopa. Não gosto de pêlos. Gosto de chá. Não gosto de exploração infantil. Gosto da minha família e dos amigos.

Filomena Leão Martins
17/04/2010

Quero ser... um Golfinhologista

Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.

E eu respondo-lhes:
"Quero ser um Golfinhologista
Estudar a vida dos golfinhos
Conhecer o seu habitat
Mergulhar nas profundezas das águas
Quero aprender a golfinhar como eles
A fazer piruetas
E a brincar"

E eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera o meu golfinho mestre.

Filomena Leão Martins
17/04/2010

A Primavera

A Primavera

Bela, bela, bela
Aí vem ela
A Primavera
Carregada de luz
Envolta em fragrâncias
doces
quentes
frescas
Preparada para a dança
das cores e das flores...

Filomena Leão Martins
24/04/2010

FAZ DE CONTA...

Faz de conta que sou Sol
Eu serei o calor, cheio de ardor

Faz de conta que sou Vento
Eu serei o teu desalento

Faz de conta que sou a Madrugada
Eu serei o teu despertar, muito cansada

Faz de conta que sou Vulcão
Eu aquecereio teu coração

Faz de conta que sou Flôr
Eu sentirei o teu odor

Faz de conta, faz de conta.

Filomena Leão Martins
27/04/2010

domingo, 23 de maio de 2010

Poema a partir de palavras avulsas

Amizade, azul viagem que a solidão derrota!
Carinho delicioso, princípio duma duradoira relação;
Alegria gentil que o nevoeiro não suporta;
Doçura de chocolate que anima meu amargurado coração!
Quem és tu afinal?
Primavera sou!”
Ah, teu sorriso a maresia cheira!
E teu sabor a paz de espírito anseia!

António Azevedo

Sou mar… sem conta…

Faz de conta que sou suave mar…
Serei caravela de quinhentos a navegar!

Faz de conta que sou vento…
Serei velas côncavas que se vão enchendo!

Faz de conta que sou marinheiro…
Serei profeta do mundo inteiro!

Faz de conta que sou pirata…
Serei a cobiça de toda a prata!

Lembranças do passado, voando… voando…
Por Deus, regressai, a desgraça evitando!

É chegada a hora do não fazer de conta…
Mas do agir sem conta!


António Azevedo



Faz de conta que sou suave mar…
Serei caravela de quinhentos a navegar!

Faz de conta que sou vento…
Serei velas côncavas que se vão enchendo!

Faz de conta que sou marinheiro…
Serei profeta do mundo inteiro!

Faz de conta que sou pirata…
Serei a cobiça de toda a prata!

Lembranças do passado, voando… voando…
Por Deus, regressai, a desgraça evitando!

É chegada a hora do não fazer de conta…
Mas do agir sem conta!


António Azevedo

O Radiopedagogista

Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.

E eu, impaciente, resmungo-lhes:
O que vos interessa, seus curiosos?!
Quero ser um radiopedagogista,
Radiografar a vida da rebelde criança,
Inteirar-me do seu complexo ambiente familiar,
Nadar nos pântanos da sua insistente teimosia,
Compreender o vazio que a enforma
E moldar, estas mãos esfaimadas de acção pedagógica,
O seu frágil carácter irreverente!
E ela ficará eternamente agradecida com o meu desempenho,
E eu pedirei licença para da sua beira sair,
Porque tenho à minha espera uma malandreca
Que está prestes a cair!

António Azevedo

Paz

Ah, quem me dera que a paz fosse o embrião de toda a humanidade!

António Azevedo

O Amor é…

O amor é
o grito que ecoa.

O grito é
a liberdade indomável.

A liberdade é
o sonho invisível.

O sonho é
a febre do além.

A febre é
o delírio incontrolável.

O delírio é
a canção em movimento.

A canção é
o amor confessado.

O amor é
o grito que ecoa!


António Azevedo

Há muito tempo…

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Eu mesmo envelheci… já não sonho!
Perguntas-me o motivo de tal desconcerto?!
Eu te respondo com um “não sei”enfadonho.

Sabes, mãe, que saudades eu tenho
Do teu afável beijo protector!
Ele me daria agora força e engenho
Para enfrentar este vazio desolador!

Como eu desejo à infância regressar,
E de novo sentir tua infindável alegria!
Saborear tuas palavras que faziam sonhar

Esta alma agora eternamente doentia!
Meu anjo da guarda, acompanha-me neste caminhar!
Sem ti, eterno luzeiro, minha errância nada seria!

António Azevedo

A Primavera…

A Vera, que não é minha prima,
Anunciou a chegada da estação que me anima!

Amigo, ela vem de mansinho,
Timidamente sua presença anuncia
Num belo canto do passarinho,
Acompanhado por acordes da cotovia.

Sua chegada não passa despercebida
Mesmo aos animais mais incautos.
Sente-se o ritmado pulsar da vida
Por entre planícies, vales e socalcos.

Vem depressa, musa inspiradora,
Pinta meu espírito de alegres tonalidades;
Leva para longe a chuva atormentadora
Que em minh’alma cultivou enfermidades.

Vem, Primavera, traz a tua infinita alegria;
Sem ti eu nada seria!

António Azevedo

A cor do azul

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Da tranquilidade
O azul é a cor
Mas o azul
É essa a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Dos teus olhos
O azul é a dor

Do Além;
O azul é a cor!
Mas o azul
É essa a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes confessar!

Da glória tripeira
O azul é a cor.
Mas é esse o azul
Que eleva o seu valor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum:

O azul é confiança!
A cor do azul
É ansiada temperança
Que nos liberta deste lamacento paul!

António Azevedo

Toutagaio


Touro - Suricata - Papagaio = Toutagaio

Ser estranho… como o Homem
Não é suri…ri…ri… mas (a)cata-ta-ta
Descendente de touro, suricata e papagaio
Ilustre habitante da bela Espaçarela
Aquartelado em cabanazónia
Preguiçoso é, decidido e ta…ta…tagarela: pa…pa…garela…
Perfumado de suave maresia
Imita o que lhe convém…
Fala, fala, mas não diz, repete…“É Touro!”
E não se dirige a ninguém!
Quando lhe perguntam
«Quem és?»
A resposta surge em eco… co…co…: “Sou tou … tou...ta …ta…gaio…»
«És quem?»
És, es...tou…tou…va…a…a…do…
E de lado, lá se vai alado!

António Azevedo, Cristina Fernandes, Gracinda Morais, Sameiro Ramos

O que é?

As estrelas são
Os lampiões da noite

A noite é
O tempo adormecido

O tempo é
A linha da vida

A vida é
O constante renascer

O renascer é
O riso dos meus filhos

Os meus filhos são
As minhas estrelas

As estrelas são
Os lampiões da noite.

A cor

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor
A cor do teu coração.

O teu coração é azul,
Como o céu, onde te encontras.

Mas do azul
É qual a cor?

O azul-é
Da cor do azul.

Dos teus olhos
Bondosos e transparentes,

Do riso do teu mar,
Onde eu gostava de naufragar,

Do sonho
De te reencontrar,

Pois só o azul
É do azul a cor.

carta

Estes sinais, em mim, não são carícias
(tão leves), que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças´
do tempo que sem ti não é suposto.

Escrevo-te,
Com o coração transbordante de saudade,
Tão dolorosa e reconfortante...

Sei que vou voltar a encontrar-te,
E abraçar-te,abraçar-te...

Despeço-me com mil beijinhos,
Até sempre.

sábado, 22 de maio de 2010


São muitas as vezes que te escrevo cartas de amor à hora de adormecer, aquela em que tu dizias, Deus te abençoe e a noite abria em sonho. Lembras-te?
Hoje escrevo-te cercada de luz numa sala cheia de gente que, como eu, está a escrever uma carta de amor. Perguntarás porquê e eu dir-te-ei que estou numa acção de formação. Não te preocupes. Estou a gostar. É poesia, ilha de ouro onde me fecho e me abro para o perfume do dia ou para a escuridão da agonia É poesia, mãe, e a formadora, imagina, é a Cinda. É isso, mãe. Pedi a aposentação, mas resolvi fechar com chave de ouro com a amiga que tu escolheste para me ajudar a suportar os golpes, os espinhos, até os da tua saudade, como uma espécie de carícia à alma, como dizia Álvaro de Campos.
Apesar de um certo ruído de fundo, ouço-te a voz. Vens de longe, sentas-te ao meu lado e estremecem-me as lágrimas no vulcão da tua presença imaterial. Limpas-me o pranto e quase digo são de fonte os teus olhos também. Dois prantos numa mesma comunhão, a de nos amarmos sem tempo e a de termos grilhões nas mãos a impedir o abraço palpável. O que vês agora na tua menina, mãe? Olho-me ao espelho e me digo eu mesma envelheci, mas ainda adormeço no linho do teu lençol, rente ao teu corpo quente, em afagos de beijos, eu menina de bibe que as páginas do tempo se encarregaram de envelhecer. Lembras-te do dia do baptismo da tua neta? Nesse dia branco entendi maternalmente a extensão da palavra maternal, contigo a meu lado, partilhando as minhas emoções. Deixo-te de recordação a doçura desse momento, à hora em que "os violinos tocam de madrugada".
Quando a borboleta negra me vier buscar, gostaria de abrir os olhos na outra margem onde habitas e sermos só olhos e mãos num mesmo deslumbramento . Só mãos e olhos, mãe. E era tanto.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O amarelo

A cor do amarelo

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Do sol
O amarelo é a cor
Mas do amarelo
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Do Verão
O amarelo é a cor
Mas do amarelo
É qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz-me, mas não tenhas medo

Da amizade
O amarelo é a cor
Mas do amarelo
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

O amarelo - é da
Cor do amarelo
Pois só o amarelo
E do amarelo a cor.

Rosa Barros

O universo

O universo é
Um sonho luminoso.

Um sonho é
Uma felicidade prolongada.

A felicidade é
Um caminho para o infinito.

Um caminho é
Uma escada colorida.

Uma escada é
Um ponto de partida.

Um ponto é
Um universo de possibilidades.

O universo é
Um sonho luminoso.

Rosa Barros

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Poema sem imaginação

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Do céu
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Dos teus olhos
O azul é a cor
Mas do azul
E qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo


Do mar
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Do meu clube
O azul é cor
Mas do azul
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

O azul – é da
Cor do azul,
Pois só o azul
É do azul a cor.

(Fernanda - 15/5/2010)

Definições

A chuva é
Um violino que embala

Um violino é
A poesia feita de música

A poesia é
O silêncio dentro de mim

O silêncio é
Uma ave branca

Uma ave é
Vida libertadora

A vida é
Chuva persistente

A chuva é
Violino que embala

(Fernanda - 15/5/2010)

A COR DO VERMELHO, VERMELHO

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Da intensa paixão
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Dos teus lábios doces
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo

Do pôr-do-sol
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Do Sporting de Braga
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Não é segredo
Eu digo, sem medo algum

O vermelho – é da
Cor do vermelho.
Pois só o vermelho
É do vermelho a cor.

Glória Silva
(15/5/2010)

À roda com … definições



O sol é
Uma flor amarela

Uma flor amarela é
A luz na escuridão

A luz é
A esperança renovada

A esperança é
Uma tela em verde

Uma tela é
Um livro aberto

Um livro é
Um poema construído

Um poema é
O sol de uma vida

O sol é
Flor amarela.

Glória Silva
(15/5/2010)

terça-feira, 18 de maio de 2010

MÂE



Mãe:
Hoje deixa-me falar-te do mundo e das desditas do mundo
Que as datas não compreendem.
O que eu quero nesta data, sabes o que é?
O que eu quero é mudar o mundo, mãe!
Não podes ver os meus olhos, mas eu vou dizer-te:
Olham na mesma direcção dos teus.

Quando eu nasci
Ficou tudo como estava,
Não houve nada de novo,
Somente a minha mãe sorriu e agradeceu.

Mãe:
Põe-me embrulhada nos teus braços,
No xaile do afect!
Passa a tua mão pela minha cabeça
Pois, é tudo tão verdade!

Eu nasci de ti,
Como a flor da Terra!

Porque Deus permite
Que as mães se vão embora?
Fosse eu rei do mundo, baixava uma lei:
“Mãe ficará sempre junto do seu filho.”

Mãe!
Que visita tão pura me fizeste
Neste dia!
Não me esquecerei de nada
Guardo a tua voz dentro de mim.
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias
Que ainda não viajei…

Mãe, dá-me a lua!
Mãe, dá-me um dia sem chuva!
Para que o possamos namorar
E tomar um duche da sua luz.

Sobe alto, à medida da tua altura
E não vaciles, até ao astro-mor, Mãe!
Morrer acontece,
Como o que é breve e passa,
Mãe, na sua graça, é eternidade.


Fátima Mateus; Judite Jorge; Rosa Barros

A COR DO CASTANHO

Diz-me , meu amor
Diz-me, por favor


Do Outono
O castanho é a cor.
Mas do castanho,
É qual a cor?


Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales


Dos teus cabelos
O castanho é a cor
Mas do castanho
É qual a cor?


Diz-me, não entendo
Diz-me, não tenhas medo


Da saudade
O castanho é a cor
Mas do castanho
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer


Da terra
O castanho é a cor
Mas do castanho
É qual a cor?


Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum


O castanho – é da
Cor do castanho
Pois só o castanho
É do castanho a cor.

Fátima Santos

Definições

O amor é
Um pássaro alado!

Um pássaro é
Liberdade infinita!

A liberdade é
Um sonho real!

Um sonho é
Uma tarde de sol!

Uma tarde é
Um momento de pausa!

Um momento é
Um olhar trocado!

Um olhar é
Uma chuva de estrelas!

As estrelas são
Uma rua de luz!

Uma rua é
Um amor a caminho…

O amor é
Um pássaro alado!


Fátima Mateus

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A cor do branco


Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor.

Da serenidade o branco é a cor.
Mas do branco
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Da tua alma
O branco é a cor.
Mas do branco
É qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo

Da pureza
O branco é a cor.
Mas do branco
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Da paz o branco é a cor.
Mas do branco
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

O branco – é da
Cor do branco.
Pois só branco
É do branco a cor.

Judite

As estrelas são...


As estrelas são
Letras no céu.

Letras no céu são
Luz que conduz.

Luz que conduz
É vento que sopra.

Vento que sopra
São estrelas que voam.

As estrelas são
Letras no céu.
Judite

MÃE



MÃE

Mãe:
Hoje deixa-me falar-te do mundo e das desditas do mundo
Que as datas não compreendem.
O que eu quero nesta data, sabes o que é?
O que eu quero é mudar o mundo, mãe!
Não podes ver os meus olhos, mas eu vou dizer-te:
Olham na mesma direcção dos teus.

Quando eu nasci
Ficou tudo como estava,
Não houve nada de novo,
Somente a minha mãe sorriu e agradeceu.

Mãe:
Põe-me embrulhada nos teus braços,
No xaile do afecto!
Passa a tua mão pela minha cabeça
Pois, é tudo tão verdade!

Eu nasci de ti,
Como a flor da Terra!

Porque Deus permite
Que as mães se vão embora?
Fosse eu rei do mundo, baixava uma lei:
“Mãe ficará sempre junto do seu filho.”

Mãe!
Que visita tão pura me fizeste
Neste dia!
Não me esquecerei de nada
Guardo a tua voz dentro de mim.
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias
Que ainda não viajei…

Mãe, dá-me a lua!
Mãe, dá-me um dia sem chuva!
Para que o possamos namorar
E tomar um duche da sua luz.

Sobe alto, à medida da tua altura
E não vaciles, até ao astro-mor, Mãe!
Morrer acontece,
Como o que é breve e passa,
Mãe, na sua graça, é eternidade.


Fátima Mateus; Judite Jorge; Rosa Barros

domingo, 16 de maio de 2010

Cor

A cor do Azul

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Do mar
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Do horizonte
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo

Da calma
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?
Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Do Porto
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo nenhum

O azul – é da
Cor do azul.
Pois só o azul
É do azul a cor.

Conceição Barbosa

Definições

O Planeta é
A natureza imensa

A Natureza é
Um quadro apetecível

Um Quadro é
Uma luz colorida

Uma Luz é
Um guia atento

Um Guia é
Um amigo persistente

Um Amigo é
Um mar infinito

Um Mar é
Uma vida cintilante

O Planeta é
Natureza imensa.

Conceição Barbosa

Carta

Carta, a ti amiga.
Olha lembrei-me.
Há muito tempo sim que não te escrevo.
Já lá vão largos anos .
Mas tenho tão presente as nossas traquinices.
Mentiras inocentes, correrias e até mesmo desobediências.
Que importava.
Havia tanta magia em tudo!
Era o salto ao peão da berma das estradas, o salto à corda, o jogo da macaca e da pedrinha.
E o balouçar ao calcar o gelo, lembras?
Que bom!
Só mesmo quem o sentiu!

Até sempre.

Conceição Barbosa

Faz de conta

Faz de conta que sou a cigarra
Eu serei um alegre canto

Faz de conta que sou água
Eu serei então a fonte

Faz de conta que sou arco-íris
Eu serei uma bela cor.

Faz de conta que sou mar
Eu serei barco à vela.

Barco navegando e sonhando
Contigo, sempre e sempre.

Faz de conta, faz de conta.

Conceição Barbosa

Gatalogista

Gatalogista
Detesto que os adultos me perguntem
“ O que queres ser quando fores grande?”
Detesto que me falem lá do alto, tão alto
Que mal os consigo ver

E eu respondo-lhes:
Quero ser uma gatalogista
Estudar a vida dos gatos
Andar solta pelos telhados
Correr e saltar nos campos
Regressar à meiguice do lar
Receber o carinho dos donos

E eles ficarão muito satisfeitos
Com o meu futuro
E eu pedirei licença para sai
Porque tenho à minha espera um siamês.

Conceição Barbosa

Primavera

A Primavera chega de mansinho
De uma viagem atribulada
Transporta os belos sonhos
Dos passageiros apressados.

Conceição Barbosa

sábado, 15 de maio de 2010

Carta a ti, pai

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Deixa-me contar-te...

As rosas do teu jardim continuaram a florir,
Mas sem o brilho intenso e meigo, que te ofereciam a ti

Os pássaros na tua velha oliveira continuaram a morar,
Muito breves, logo partem com olhar desconfiado
Também eles sentem a tua falta

Os girassóis continuaram a abrir, seguindo atentos o Sol,
Mas sem sorriso. Sérios, distantes...

A tua cadeira repousa, sozinha no mesmo canto do jardim,
Quieta, vazia e só...

Sabes, se calhar são os meus olhos...
Será que a dor, sorrateira
Lhes terá roubado o brilho?

A ti te escrevo…
Tinha tanto que contar-te!

As crianças cresceram. Lembram-me a mim
Quando eras tu, então, quem me via crescer.

E é bom rever o teu olhar
Todo debruado a sonhos...
Os teus gritos de alegria,
O teu abraço forte e firme,
Naqueles momentos em que os meus pequenos feitos
Tu transformavas em momentos de glória.

Que bem me sabia...
E ainda me sabe, de cada vez que os encontro
Guardados nesta saudade…

Fica bem por aí
Nós por cá, todos bem.


PS: Sempre que for ver o mar, levar-te-ei comigo.




Mónica Suarez

Definições

DEFINIÇÕES

Uma estrela é
O olhar do céu

O Céu é
O leito do pássaro

O pássaro é
O som da Primavera

A Primavera é
O nascer do amor

O amor é
A essência da vida

A vida é
O brilhar de uma estrela

Uma estrela é
O olhar do céu

Mónica Suarez

A Cor do vermelho

Diz-me meu amor
Diz-me, por favor

Da alegria
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
Qual é o sabor?

Diz-me, não sossegues
Diz-me, mas não fales

Do teu amor
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
Qual é o sabor?

Diz-me, não o cales
Diz-me, mas não fales

Da dor
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
Qual é o sabor?


Diz-me, não te enganes
Diz-me ,mas não fales

Do Sol pôr
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
Qual é o sabor?

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor.


Mónica Suarez

A Cor do Azul

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Dos meninos
Azul é a cor
Mas do azul
Qual é a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Do céu e mar
O azul é a cor
E do sossego e paz
Qual será a cor?

Diz-me, não te entendo
Diz, não tenhas medo

Do nosso amor
O azul é a cor
E o próprio azul
Terá que cor?


Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Diz-me do nosso
Do sempre, do longe
Será o azul
A nossa cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

É tua e minha
A cor do azul
Pois só o azul
É a cor do azul.

Luísa Sales

Definições

A estrela é
A luz do teu olhar

A luz é
A cor do infinito

A cor é
A liberdade que sinto

A liberdade é
Um sonho musical

O sonho é
Uma viagem à lua

A viagem é
A alma do poeta

A alma é
A estrela que te orienta

A estrela é
A luz do teu olhar

Paula Antonione

Definição

O mar é
Um espelho sem fim

Um espelho é
Um pedaço de mim

Um pedaço é
O silêncio escondido

O silêncio é
Uma estrela na escuridão

Uma estrela é
Uma luz no caminho

Uma luz é
A Primavera florida

A Primavera é
O mar colorido

O mar é
Um espelho sem fim

Paula P.
(15/5/2010)

Carta de saudade

Gosto de te escrever ao fim do dia
Quando o sol adormece
E tudo parece
Mergulhado em melancolia.
E então fica a saudade
E a lembrança dos dias que vivemos
E de como eu
Sem ti, sou um barco sem mar
Sou um sol sem calor
Sou Lua sem luar
Sou um arco-íris sem cor
Sou beijo sem desejo
Sou uma espécie em perigo
Sou uma Feira sem livro…
Sem ti, o medo fica medonho
Sem ti, sinto que estou viva e que não sonho.
E em cada dia que passo
Sinto a falta do teu abraço!
Já não gosto da chuva nos dias de Verão
Já não ouço Alicia em concerto
Deixei de ser sim, estou sempre não
Porque tu não estás perto…
Sei que há um futuro que já não vem!
Sem ti, meu amigo, eu não sou ninguém!
Paula Antonione

A COR DO BRANCO


Diz-me, meu amor
Diz-me por favor

Da alegria
A branca é a cor
Mas do branco qual é a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales.

Dos teus olhos
Branca é a cor.

Brancos meus olhos?
Sim, meu amor!

Diz-me, não entendo
De brancos meus olhos?

De branco a manhã
De branco a brancura
De branco o amor
De branco teus olhos.

Ah, diz-me, é segredo?
Não é segredo nenhum
Eu digo-o sem medo algum:

Branco este remanso
Onde a abelha freme
E a estrela treme.

O branco
É da cor do branco
Pois só o branco é a cor
Da água branca do corpo
Onde arde o nosso amor.

Definições

O amor é
Uma lua cheia

A lua é
A casa dos sonhos

O sonho é
A música perfeita

A música é
Um beijo suave

Um beijo é
O amor perfeito

O amor é
Uma lua cheia

Luísa Sales

conSerto para conCerto - Mãe

Mãe, quero dizer-te um segredo…

Era uma vez a nossa casa
E uma flor sobre a mesa
Mãe, diz que sim!

Era uma vez um doce embalo nos teus braços
Quem me dera voltar-me a sentir-te assim
Mãe, diz que sim!

Era uma vez a ternura nos teus olhos
Que resplandece em luz serenamente
Mãe, diz que sim!

Era uma vez as flores que nascem dos teus dedos
Vamos pensar o mundo em segredo
Mãe, diz que sim!

Não me esquecerei de nada
Guardo a tua voz dentro de mim.

Mónica, Paula, Conceição e Luísa

Concerto para a mãe


Não é a poesia que faz falta
O que faz falta é vivê-la.
Eu nasci de ti
Como a flor da terra.
Parir é dor, criar é amor.
Olha - queres ouvir-me? -
Leva-me à nuvem mais alta
Num céu translúcido em que sempre acreditaste
Olha - queres ouvir-me? -
Doce embalo nos teus braços
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Mãe
Ó luz que não apaga,
Quando sopra o vento
E a chuva desaba...
Olha - queres ouvir-me? -
Os fazedores de datas
Fizeram-te uma data
E eu estou contente
Porque ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos.
Mãe, passa a tua mão pela minha cabeça
Enquanto aprendo
A respirar fora de ti.
Quando passas a tua mão pela minha cabeça
É tudo tão verdade!
É como se ainda fosse pequeno
Ainda oiço a tua voz:
- Filho, há nuvens nos sonhos,
Sobe alto à medida da tua altura,
Não te queimes, não te percas,
Que o caminho é de pedras
Mas o mar não tem fim
Não me esquecerei de nada, Mãe
Guardo a tua voz dentro de mim.

Isabel, Fernanda, Paula, Glória

Coro de violinos contentes

É tão alegre a nossa vida
É tão eufórica a nossa vida
Que a gente veste de verde
Como veste a Primavera
E mesmo que alguém morresse
Desde que morresse feliz
Até podia ser eu…

Andam chilreios lá fora
Derramados pelo ar
E um sol inflamado
Que vontade de cantar
E a gente pràqui contentes
Com piano e violinos
Com versos e melodia
Acordes de poesia!...
(Quem será que canta cá?)
Fazendo versos bonitos.
Fazendo versos bonitos.
E a brisa andando lá fora
Rumorejando nas ruas
Trazendo aroma de rosas
Trazendo raios de luz
(quem será que anda lá fora?)
E a gente pràqui contente
No convívio musical
Com notas de violinos
Num concerto matinal
Curvados prà poesia
Lendo almas de poetas
Enchendo folhas de versos
Reinventando poemas
Costurando, recortando
Remendando, recriando
Recriando, recriando.

Isabel, Fernanda, Paula e Glória
(8/5/2010)

Carta a Ti

Há muito tempo, sim, que não te falo.
Silêncios, amuos, silêncios.
Buracos sem fundo
Sem rede
Sem escada
Tantos anos, tantas lutas
E nós sem dizer sim.

Nunca soubeste a falta que me fazes.
Nunca soube a falta que te faço.
Agora, com estas palavras, cresce
Uma rede
Uma escada
Em mim
E já não sonho.

Luísa

Coro das Violinistas

É tão musical a nossa vida
É tão serena a nossa vida
Que a gente veste um escala de Sol
Como se andasse a dançar
Ao menos se todos cantassem
E se se juntassem a nós
Todos seríamos o mar

O Dó correndo na areia,
Marcando os passos que dá,
Encontra-se com o Ré.
Logo vão jogar à bola!
E eis que chega agora o Mi
Vem nas ondas a surfar
Dó, Ré, Mi!...
Começa a música aqui.
Cantam todos animados!
Olha o Fá! Vem acolá!
Que alegria! Que magia!
Cantam nas ondas do mar.
Dó, Ré, Mi, Fá!...
Espreita o Sol a brincadeira
Junta-se a eles na areia:
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol!...
Conchas, algas, búzios
Polvos, peixes, caranguejos
(Como eu os invejo!)
Trazem o Lá e o Si.
E todos em harmonia
Começam a sinfonia:
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó!

Mónica, Conceição, Paula e Luísa

Primavera

morna, morna, morna
chegou a Primavera

chega de mansinho
traz as suas flores
e por onde passa
deixa os seus odores

deixou chuva, vento, neve
para o ano virão mais!
tudo o que a gente pede
é uns meses especiais

alegria, amores, canções
tudo isto cresce em nós
com estas renovadas emoções
nunca nos sentiremos sós

morna, morna, morna
chegou a primavera

Luísa Sales

Faz de Conta

faz de conta que sou sede
eu serei o rio leve

faz de conta que sou música
eu serei a suave letra

faz de conta que sou preto
eu serei apenas branco

faz de conta que sou areia
eu serei o claro mar

mar vagando, vagando
sobre ti vezes sem conta

faz de conta, faz de conta

Luísa Sales

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Gosto… Não gosto…

Gosto do mar e das montanhas. Gosto de andar a pé pelas ruas da cidade. Gosto do frio do Inverno e do calor de uma lareira. Gosto da companhia pachorrenta do meu gato.
Gosto de poesia. Gosto de toranjas. Gosto de estar sozinha, quando me apetece. Gosto de todas as flores, especialmente as brancas. Gosto de gente simpática.
Não gosto de política. Não gosto de políticos. Não gosto de aulas de substituição. Não gosto do som do despertador. Não gosto de sorrisos amarelos. Não gosto de alguns poetas de ocasião. Não gosto de ter insónias. Não gosto de más companhias.
Gosto de olhos verdes. Gosto da relva molhada nas manhãs de Verão. Gosto de sentir a brisa fresca. Gosto de passear com o Luís e o Eduardo. Gosto do silêncio. Gosto de uma esplanada à beira-mar. Gosto de todas as crianças. Gosto de ti.
Não gosto do calor excessivo. Não gosto de falar em público. Não gosto que olhem fixamente para mim. Não gostos dos dias húmidos e chuvosos. Não gosto de ter aulas de tarde. Não gosto que me obriguem a fazer o que eu não quero. Não gosto de computadores. Não gosto do dia do meu aniversário. Não gosto de festas.

Fernanda C. e Glória S.
(17/4/2010)

Carta



Há muito tempo, sim, que não te escrevo, mãe. Partiste sem avisar e, entre nós, tanta coisa ficou por dizer… (porque Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora…) Agora, olho para trás e recordo as carícias, tão leves, que fazias no meu rosto. Como era macia a tua mão e suave a tua voz, quando me dizias «Descansa, vai correr tudo bem!». No mais fundo de mim, eu sei que te traí, mãe, quando saí da moldura e fui com as aves e com o vento. A vida depressa tomou o teu lugar e as rugas tomaram conta do meu rosto. Não tive tempo. Não tive ocasião. Não tive palavras para te dizer o quanto eras importante.
Ralha, pois, comigo, mãe, mas ralha assim como quem beija, como fazias quando eu era ainda o teu menino.

Fernanda C.
(8/5/2010)

Verão

Chegou o Verão,
Chegou o Verão.

Vem de biquíni
E óculos de sol.
Vem de chinelos
E toalha à tiracol.

Com receio do sol,
Põe um chapéu de palha.
Quer ficar bronzeado
Deita-se na toalha.

De sumo e palhinha,
Vai saboreando o calor.
Com os phones nos ouvidos
Ouve canções de amor.

Chegou o Verão,
Chegou o Verão.

Fernanda C.
(24/4/2010)

Faz de conta, faz de conta



- Faz de conta que sou flor.
- Eu serei abelha feliz.

- Faz de conta que sou orvalho.
- Eu serei relva de Abril.

- Faz de conta que sou sombra.
- Eu serei sol de Agosto.

- Faz de conta que sou poeta.
- Eu serei alma dos teus versos.

- Faz de conta., faz de conta…

Fernanda Carvalhal
(24/4/2010)

Gatologista



Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.


E eu respondo-lhes:
«Quero ser um gatologista
Conhecer os altivos gestos
E os olhares ternos
Dos gatos.
Sentir o seu ronronar
Junto ao meu ouvido.
E deixar-me embalar,
Enrolada no seu pêlo macio.
E deixar-me envolver
No seu cheiro selvagem de felino»

E eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera um Bosque da Noruega chamado Benny.

Fernanda Carvalhal
(17/4/2010)

DOÇURA

É uma doçura a vida
Quando ela nos sorri

A Primavera é azul
E cheira a maresia.
Delicioso sonho…

De repente, o nevoeiro
Que chega com a solidão.

A viagem terminou…

Fernanda Carvalhal
(27/3/2010)

Faz de conta

Faz de conta que sou Sol
Eu serei o calor, cheio de ardor

Faz de conta que sou Vento
Eu serei o teu desalento

Faz de conta que sou a Madrugada
Eu serei o teu despertar, muito cansada

Faz de conta que sou Vulcão
Eu aquecereio teu coração

Faz de conta que sou Flôr
Eu sentirei o teu odor

Faz de conta, faz de conta.

Filomena Leão Martins

quinta-feira, 13 de maio de 2010

«O Outono»

De mansinho, lentamente,
Chegou o Outono.

Chega na dança do vento,
No rodopio das folhas,
Na chuvinha refrescante
Sob um sol envergonhado.
Vem com ânsias do regresso,
Já com saudades do Verão.
Reencontra os seus amigos
A quem estende a mão.

Sereno, sereno, chegou o Outono.

Alexandra Magalhães

«Faz de conta...»

Faz de conta que sou brisa,
Brisa fresca da manhã.

Faz de conta que sou sol,
Sol de Inverno, que aquece,

Faz de conta que sou lápis,
A sarrabiscar o teu nome.

Faz de conta que sou máquina do tempo,
Para regressar ao passado e abraçar os meus pais.

Faz de conta, faz de conta... Alexandra Magalhães

«Uma latinha de doces sabores»

No nevoeiro dos sonhos
Encontrei a minha paz.
Na busca da alegria,
Aliei-me à solidão.
E no azul da Primavera,
No cheiro da maresia,
Na doçura do chocolate,
Terminei a minha viagem,
De amor e perdição.

Alexandra Magalhães

«Quero ser...»

Quero ser uma chocolatista
Pesquisar o mistério do chocolate
Descobrir a sua origem
Sentir os diversos sabores
Envolver-me nos seus odores
E criar a receita original

Porque tenho à minha espera
As bocas gulosas dos meus filhos.

Alexandra Magalhães

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Outono

Devagar, devagar…
Chega o Outono.

Folha a folha,
As árvores despem-se…
No chão ficam quentes lembranças,
Leves saudades do verão.

É doce a cor do horizonte,
São quentes os laranjas e os amarelos,
São variados os aromas das colheitas
E assim os dias são mais belos.

Tudo é carinhosamente ameno,
Nada é excessivo.
Há suavidade e ternura no ar
E muitas castanhas para partilhar.

Rosa Barros

Faz de conta

Faz de conta…

Faz de conta que sou livro
Eu serei o poema mais belo

Faz de conta que sou gaivota
Eu serei um mar sereno

Faz de conta que sou deserto
Eu serei o teu oásis verdejante

Faz de conta que sou árvore
Eu serei hera atrevida

Hera a trepa, a trepar…
À tua volta, vezes sem conta
Faz de conta, faz de conta.

Rosa Barros

Bombom e Amizade

Com um Bombom veio a palavra Amizade na 1ª tarefa da 2ª sessão.
Disse: " A amizade é uma viagem que perdura no tempo" e pensei, depois: "Como gosto de saborear chocolates em momentos de terna amizade".
Judite

Gizebrão



É um animal da savana
Alto, forte e elegante
Da zebra herdou a cor
Intensa, alegre e brilhante.
Entra sempre de rompante
Com o seu grito gigante:
GRRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!
… um horror.
Tem pescoço de girafa
Macio, suave e quente.
Não é animal de estimação
Quase parece um leão
Quando assado com laranja
Tem o gostinho da canja!


Mónica , Paula , Conceição, Luisa

terça-feira, 11 de maio de 2010

Carta


Há muito tempo que não te escrevo!...
As saudades são tantas e tenho tanto para te contar…
Ficaram velhas as notícias e eu mesma envelheci.
A falta que me fazes é tanta,
que sempre que a vida me castiga,
Ou o universo me premeia,
Penso em ti,
Nos nossos momentos de partilha
E são essas lembranças de criança,
Esses sonhos de menina
Que me ajudam a continuar…

Fátima Mateus

O CORO DOS PADEIROS












Coro dos Padeiros

Nosso mundo anda ao contrário,
Nossa vida do avesso.
Namoramos com a lua,
Deitamo-nos com o sol,
Sempre vestidos de branco
Vivemos eternas núpcias…

A lua vagueia lá fora,
O luar invade a noite.
Os outros no aconchego
E nós sempre neste Fado,
Neste forno infernal,
Batendo a massa do pão,
Batendo a massa do pão…

Farinha, água, fermento,
Talvez um pouco de sal…
Para depois levedar
É preciso misturar.
E nós, servos da noite,
Sob a vigilância da lua,
Para alimentar as manhãs,
Batendo a massa do pão,
Batendo a massa do pão…


Fátima Mateus, Judite Jorge e Rosa Barros.

Faz de conta...

Faz de conta que sou uma andorinha...
Eu serei a Primavera.

Faz de conta que sou um girassol...
Eu serei o teu raio de sol.

Faz de conta que sou uma janela...
Eu irei fugir por ela.

Faz de conta que sou criança...
Eu serei o teu aconchego.

Faz de conta que sou o mar...
Eu serei o barco para te explorar.

Barco navegando, navegando
Sobre o mar sem fim...

Faz de conta, faz de conta, faz de conta...


Fátima Mateus

Primavera

Fresca, fresca, fresca
Chega a Primavera.

Vem de vestidinho,
Verde e carmim...
O chão por onde passa
Parece um jardim.

Esqueceu os sapatos
Perto do portão.
Não os quer usar...
Assim, sente o chão.

Cheirosa e florida
Corre pelo campo...
E no seu encanto
Desperta p'ra vida...

Fresca, fresca, fresca
Chega a Primavera.


Fátima Mateus

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Acorde de Chocolate

Na Primavera azul
Há a viagem do gentil sonho
Na delícia deliciosa da doçura
Da paz, alegria, carinho e amizade.

Luísa Sales
OUTONO

Vestido, vestido, vestido,
Chegou o Outono.

Vem de muitas cores
Todo iluminado,
Vem quente e amigo.
Na árvore onde repousa
Constrói colorido lar.

Deixa, aos poucos, o calor
Que guardou do Verão.
Repensa, de novo, a vida...
Traz com ele essa saudade
Para num cofre guardar.

Tem medo da chuva
Que vai suportar
Vai perdendo a cor...
Mas sempre a sonhar!

Vestido, vestido, vestido,
Chegou o Outono.


Mónica Suarez
Faz de conta

Faz de conta que sou luz
Eu serei a tua sombra.

Faz de conta que sou tristeza
Eu serei o teu regaço.

Faz de conta que sou água
Eu serei a tua nuvem.

Faz de conta que sou sol
Eu serei o teu regato.

Regato que corre límpido
No raiar do teu sorriso.

Faz de conta, faz de conta.

Mónica Suarez
Viagem

Viajo na maresia
Levada no nevoeiro
Delicioso, gentil, macio…
Cruzo a solidão do azul,
Em direcção à alegria,
Chego, enfim, à Primavera.

Mónica Suarez
SILÊNCIO

Decidi que vou ser poeta.

Dizes-me que o silêncio
É um poema,
Um misto de oração e de feitiço.
Não tenhas medo:
É talvez o sussurro daquele insecto.
Ouve-o atentamente.

A poesia não é um dialecto
De que ninguém sabe os sinais.
É construir universos
De palavras banais.

Que triste não saber florir!


Todo o tempo é de poesia.
Há quem brinque.
Há quem ria.
Não me importo com as rimas.
É preciso saber olhar,
Pôr a alma no trabalho
Comover-se com coisas de nada.
O segredo é AMAR!

Sou poeta.



Conceição, Mónica , Paula ,Luisa,Glória
A naviolista

Detesto que os adultos me perguntem
“O que queres ser?”
Detesto que me falem lá do alto,
Tão alto!
Que mal os consigo ouvir…
E eu respondo-lhes:

«Quero ser naviolista,
Dançar nas ondas ao Sol,
Ouvir o som das marés,
Conhecer o cheiro do Mar.
Quero aprender a nadar
Com peixes, musas e algas
E a mergulhar»

E eles ficarão felicíssimos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera uma traineira.


Mónica Suarez

O Piscilogista



Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.

E eu respondo-lhes:
«Quer ser um piscilogista
Descobrir os segredos do mar
Conhecer todos os peixes
Nos rios e lagos com eles nadar
Quero ser um peixe
Os segredos profundos desvendar
Ouvir o canto da sereia
O incauto pescador
a encantar»
E eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera uma sereia.

Glória S.
(17/4/2010)

domingo, 9 de maio de 2010

Há muito tempo, sim, que não te escrevo

Há muito tempo, sim, que não te escrevo
Mas quero que saibas que procuro por ti.

Habituei-me às partidas e às ausências,
às tuas e às minhas,
na certeza de um reencontro.

Agora, não consigo habituar-me à ideia
de que partiste para sempre.

Procuro por ti cada dia,
num gesto simples,
na beleza de um qualquer objecto,
na gentileza de alguém
e em pequenos momentos de serenidade.

Tento reconfortar-me com esses breves “encontros”,
mas sinto muito a tua falta!

Judite
Poema Belo

A beleza é gentil.
Está por aqui ou além…
Em ti, em mim...
Ou não.

Mónica Suarez

MARES...

Deixa contar…
Era uma vez…
O senhor mar…
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim…


Mar sonoro…
É tão funda intimamente a tua voz
Que momentos há em que eu suponho
Que a tua beleza aumenta quando estamos sós
E para trás fica o murmúrio
Do meu mais secreto sonho



Mar sem fundo…
Em todos os cantos do mundo
Há uma hora de fogo para o azul
Há um mar imaginário aberto em cada página
Onde as plantas são animais
E o teu ventre são conchas e corais


Mar sem fim…
Eu sou quem vaga perdido
À procura de um irmão
Bati-me mil vezes no chão
A desfazer-me ao sol, ao vento, à chuva
Encontrei a própria liberdade!


Paula Antonione; Mónica Suarez; Conceição Barbosa; Luísa Sales

Gosto. Não gosto!

Gosto do Verão. Não gosto de injustiça. Gosto da solidão. Não gosto de mentiras. Gosto de passear junto ao mar. Não gosto de barulho. Gosto de madrugar. Não gosto de violência. Gosto do abraço do filho. Não gosto de frio. Gosto de passar despercebida. Não gosto de arrumar a cozinha. Gosto de oferecer presentes. Não gosto de de estar ausente quando precisam de mim. Gosto de ver filmes no sofá com os meus filhos ao lado. Não gosto de acordar com barulho. Gosto de música. Não gosto do fim do Verão. Gosto de cerejas. Não gosto de filmes de terror. Gosto de andar a cavalo. Não gosto de dias de chuva. Gosto de dançar. Não gosto de falar ao telefone. Gosto de me sentir livre. Não gosto de viver sem projecto a curto prazo. Gosto do azul. Não gosto da ambição. Gosto de ser solidária. Não gosto de rotinas. Gosto de caldo verde. Não gosto de barracas na praia. Gosto de longas caminhadas. Não gosto de discussões. Gosto da sexta-feira. Não gosto do fim da tarde do Domingo. Gosto da pontualidade. Não gosto da noite. Gosto de perfume. Não gosto de vinho. Gosto do Natal em família. Não gosto da hipocrisia. Gosto do pôr-do-sol. Não gosto da dependência. Gosto do arco-íris.

Mónica Suarez
Paula Antonione.

Nevoeiro

Quando a Primavera chegou
o nevoeiro saiu...devagarinho.
Tanta cor não era para ele
e ficou à espera...
...sozinho!


Paula Antonione

O Verão

Quente,quente,quente
chegou o Verão!


Vem descalço
Traz um gelado
Passou pela praia
Ficou assustado


Esqueceu a multidão
À beira-mar
Pegou no amarelo
E pintou aquele lugar

Fugiu para Norte
Deixou tudo para trás
Sssssh...agora quer silêncio
Deixem-no em paz!


Quente, quente, quente
Chegou o Verão.


Paula Antonione

Solista

Detesto que os adultos me perguntem
"O que é que queres ser?"
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.

E eu respondo-lhes
" Quero ser um solista
e aparecer pela manhã
espalhar luz e calor
aqui, no deserto, onde for.
Iluminar o mundo inteiro
e o teu coração
transformar todos os teus dias
num dia de Verão.
Ouvir os segredos da Lua e a música do Mar
andar pela rua e ouvir desatinos
e poder espalhar
notas soltas de violinos..."

E eles ficarão muito satisfeitos
com o meu calor matinal
e eu pedirei licença para sair
porque tenho à minha espera uma pauta musical!

Paula Antonione

Faz de conta

-Faz de conta que sou cor
-Eu serei um arco-íris.

-Faz de conta que sou paisagem
-Eu serei o teu olhar

-Faz de conta que sou viagem
-Eu serei o mar.


-Faz de conta que sou a paz
-Eu serei um pombo


-Faz de conta que sou abraço
-Eu serei o teu ombro.

-Faz de conta que sou partida
-Eu serei a saudade


-Faz de conta que sou a tua vida
-Eu nunca terei idade.

-Faz de conta que sou cheiro
-Eu serei a maresia


-Faz de conta que sou um meio
de ser aquela que diz:

Sê feliz, sê feliz!


Paula Antonione

sábado, 8 de maio de 2010

Carta a uma mãe



Vou escrever-te, mãe
- há muito tempo, sim, que não te escrevo -
Pois veio-me à lembrança teu carinho,
Tal qual a chuva que cai de mansinho…

Foste tu…
Que me ensinaste a construir a felicidade
E a não rejeitar uma grande amizade.
Que me deste sempre tudo com amor
Enchendo meu mundo de alegria e cor.
Ofereceste-me a dádiva da vida
Por issso jamais serás esquecida.

O tempo passou, tudo passa!
Ficaram velhas todas as notícias
Mas permanecem em mim tuas carícias
Que saudades, minha mãe, do teu beijinho
Que saudades do teu colo, o meu ninho.

Glória S.
(8/5/2010)

Melga, pato, avestruz!


Era uma vez uma mistura de três:
Melga, pato e avestruz.
Ai valha-nos aqui, Jesus,
Que a tarefa é um pincel!

Ora bem, continuemos…
E contemos a história
Do bicho misterioso
Que melgalhava,
Pateava e truzandava…
Truz, truz, truz
Pá, pá, pá,
Mé, mé, mé…
E atraía a passarada feliz
Que chilreava contente
E lançava para o ar
Cânticos luminosos e assedados
Como a pele do melpatruz.
Toda bordada e colorida
Qual lenço de namorados!
E os olhos faíscados
De raios de pura luz.

Ai que lindo melpatruz,
Bichinho de estimação!
Chove nele graça tanta
Que dá graça ao coração!
É formoso e não seguro
Não há fêmea abonecada
Que resista aos seus encantos.
Algumas vertem seus prantos
Com ais e ais lancinantes:
pá, mé, uz,
Coitadas delas
Mas que dores agonizantes!

O melpatruz, caladinho, no buraco
Da frondosa árvore,
-Seu ninho verde de musgo-
Nem truz, nem mé, nem pá.
Com o ego inflamado
Deixa-se ficar calado
No seu trono animal,
Não fosse ele o melpatruz
Único do universo
Que até dá mote a verso!

Mas um dia,
Inesperadamente,
Quando melpatruz se preparava
Para sair, imponente,
Do seu trono majestoso
Eis que cai numa cilada.
Pois o ódio da bicharada,
Dos machos desprezados,
Acaba-lhe com os bordados
Da sua pele assedada
E cortam-lhe o pio.

Meu pobre melpatruz!
Nem truz, nem mé, nem pá…

Numa travessa adornada
Com rodelas de laranja
Jaz morto e arrefece,
Truzandando a meltoranja,
O adorado melpatruz.

Nem pá, nem mé, nem truz!...


NOTA- O melpatruz teria um formato de ave e ler-se-ia o seguinte na sua pele adornada , qual lenço de namorados:

BAI LENÇO FELIZ BOANDO
NAS ASAS DO MELPATRUZ
BAI BER A FÊMEA BUNITA
QUE DE BÊLO SE FAZ LUZ.


PAULA,ISABEL GLÓRIA, FERNANDA.

PRIMAVERA


Nova e bela
Chegou hoje a Primavera.

Veio com passos de linho
Corpetinho de cetim
Rosmaninho, ai que cheirinho
Perfume vertido em mim.

Trouxe Abril
Trouxe um cravo
Trouxe um sol
No lençol do céu.

Trouxe uma ave
E uma bandeira
E um hino
E Abril de novo.

Bela e bela
Chegou a Primavera
Na voz do povo!

maria isabel fidalgo

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O OUTONO

Reconfortante e aconchegante,
Chega o Outono.

Com suas folhas multicolores,
Cobre a terra de um belo manto.
Os ténues raios de sol
Iluminam os meus dias.

Acabou o calor sufocante
De um verão agoniante,
Dos cheiros intensos
E odores extenuantes.

Abro o roupeiro encerrado
Dele saem caxemira e veludo.
Sinto o conforto e aconchego
De um tempo de prazer.

Reconfortante e aconchegante,
Chega o Outono.

Judite

FAZ DE CONTA ...

Faz de conta que sou pássaro
E eu serei o teu ninho.

Faz de conta que sou lagarto
E eu serei o sol mais forte.

Faz de conta que sou coelho
E eu serei a tua toca.

Faz de conta que sou glicínia
E eu serei o teu suporte.

Pétalas caindo e voando
Cheiros intenso largando.

Faz de conta, faz de conta…

Judite

Eu sou um rupagalão



Eu sou um rupagalão
Vivo no quintal da avó
Sou da cor do arco-íris
Cheiro a campo e a feno
Com um manto aveludado
Passeio-me majestoso
E não ligo a ninguém
Por todos sou desprezado
E de morte ameaçado:
“Vais acabar na panela,
Serás arroz de cabidela!”
Ai, que grande aflição.

Co-co-gru-ão, co-co-gru-ão , co-co-gru-ão

Bico, pico, corro, canto
Não encontro salvação
Assado ou grelhado
Meu destino é ser comido
Na merenda de Verão!

Rosa, Fátima e Judite

Gosto...Não Gosto: quem?

Atenção, violinistas!
Os acordes ainda agora postados (praia...barulho...)têm compositoras: Luísa Sales e Conceição Barbosa.

Gosto...Não Gosto

gosto de correr na praia. não gosto de barulho. gosto de ouvir os pássaros. não gosto de atrasos, de injustiça, de maldade. gosto de sossego. não gosto de falhar, de incompetência, de insucesso. gosto de férias na montanha. não gosto de música desafinada. gosto do Gerês. não gosto daqueles que maltratam a natureza. gosto do silêncio do mar e do silêncio das paisagens. não gosto de hipocrisia. gosto de abraçar os meus filhos e de sentir o seu calor e o seu cheiro. não gosto do barulho do trovão. gosto da música das guitarras tocadas pelos meus filhos. não gosto de ver crianças a sofrer.

1ª Tarefa

Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.

E eu susurro-lhes:
«Quero ser uma viagemlojista
Voar, correr por aí
Sentir cores, cheiros, sabores
Paisagens altas e fundas
Quero dar a volta ao mundo
Chegar a casa
E partir.»
E eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera eu.

Luísa Sales

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Profissão de Sonho

Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.

E eu respondo-lhes:
Quero ser estralegista
Viver como uma estrela
Ouvir as histórias da Maior e da Menor e da Polar
E das navegações e vidas que guiaram
Brilhar nas noites das crianças
Iluminar as suas caminhadas

Eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera um cometa cheio de pressa.

Sameiro Ramos

Gosto. Não Gosto

Gosto dos meus três meninos. Não gosto das birras dos meninos. Gosto de ajudar os meus amigos. Não gosto de falsos amigos. Gosto da Primavera. Não gosto da chuva de Inverno na Primavera. Gosto de acordar com sol. Não gosto de ficar em casa com sol. Gosto de um abraço amigo. Não gosto de abraços de despedidas. Gosto de sossego. Não gosto de palavras inúteis. Gosto da minha privacidade. Não gosto de coscuvilhices. Gosto de me sentir livre. Não gosto de grades. Gosto de uma boa gargalhada. Não gosto do sarcasmo de alguns silêncios. Gosto de sorrir. Gosto de sorrir. Não gosto de chorar. Eu gosto de conversar. Não gosto de palavras fúteis. Gosto de partilhar. Não gosto de invejar. Gosto de dar. Não gosto de hipocrisias. Gosto de preservar. Não gosto de futilidades. Gosto de estar só. Não gosto da solidão. Gosto de nada ter de fazer. Não gosto de nada para fazer. Gosto da lógica da ilusão. Não gosto da desilusão. Gosto de autonomia. Não gosto de dependências. Gosto de viver um dia de cada vez. Não gosto das partidas do futuro. Gosto de amar. Não gosto da palavra odiar.

Cristina Fernandes. Sameiro Ramos

Chocolate

Com um chocolate selámos o pacto
Iniciámos a viagem
Escondida no nevoeiro
Vislumbrámos a Primavera
Da nossa velha, gentil, doce Amizade.

Sameiro Ramos