sábado, 8 de maio de 2010

Melga, pato, avestruz!


Era uma vez uma mistura de três:
Melga, pato e avestruz.
Ai valha-nos aqui, Jesus,
Que a tarefa é um pincel!

Ora bem, continuemos…
E contemos a história
Do bicho misterioso
Que melgalhava,
Pateava e truzandava…
Truz, truz, truz
Pá, pá, pá,
Mé, mé, mé…
E atraía a passarada feliz
Que chilreava contente
E lançava para o ar
Cânticos luminosos e assedados
Como a pele do melpatruz.
Toda bordada e colorida
Qual lenço de namorados!
E os olhos faíscados
De raios de pura luz.

Ai que lindo melpatruz,
Bichinho de estimação!
Chove nele graça tanta
Que dá graça ao coração!
É formoso e não seguro
Não há fêmea abonecada
Que resista aos seus encantos.
Algumas vertem seus prantos
Com ais e ais lancinantes:
pá, mé, uz,
Coitadas delas
Mas que dores agonizantes!

O melpatruz, caladinho, no buraco
Da frondosa árvore,
-Seu ninho verde de musgo-
Nem truz, nem mé, nem pá.
Com o ego inflamado
Deixa-se ficar calado
No seu trono animal,
Não fosse ele o melpatruz
Único do universo
Que até dá mote a verso!

Mas um dia,
Inesperadamente,
Quando melpatruz se preparava
Para sair, imponente,
Do seu trono majestoso
Eis que cai numa cilada.
Pois o ódio da bicharada,
Dos machos desprezados,
Acaba-lhe com os bordados
Da sua pele assedada
E cortam-lhe o pio.

Meu pobre melpatruz!
Nem truz, nem mé, nem pá…

Numa travessa adornada
Com rodelas de laranja
Jaz morto e arrefece,
Truzandando a meltoranja,
O adorado melpatruz.

Nem pá, nem mé, nem truz!...


NOTA- O melpatruz teria um formato de ave e ler-se-ia o seguinte na sua pele adornada , qual lenço de namorados:

BAI LENÇO FELIZ BOANDO
NAS ASAS DO MELPATRUZ
BAI BER A FÊMEA BUNITA
QUE DE BÊLO SE FAZ LUZ.


PAULA,ISABEL GLÓRIA, FERNANDA.

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