sábado, 15 de maio de 2010

Concerto para a mãe


Não é a poesia que faz falta
O que faz falta é vivê-la.
Eu nasci de ti
Como a flor da terra.
Parir é dor, criar é amor.
Olha - queres ouvir-me? -
Leva-me à nuvem mais alta
Num céu translúcido em que sempre acreditaste
Olha - queres ouvir-me? -
Doce embalo nos teus braços
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Mãe
Ó luz que não apaga,
Quando sopra o vento
E a chuva desaba...
Olha - queres ouvir-me? -
Os fazedores de datas
Fizeram-te uma data
E eu estou contente
Porque ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos.
Mãe, passa a tua mão pela minha cabeça
Enquanto aprendo
A respirar fora de ti.
Quando passas a tua mão pela minha cabeça
É tudo tão verdade!
É como se ainda fosse pequeno
Ainda oiço a tua voz:
- Filho, há nuvens nos sonhos,
Sobe alto à medida da tua altura,
Não te queimes, não te percas,
Que o caminho é de pedras
Mas o mar não tem fim
Não me esquecerei de nada, Mãe
Guardo a tua voz dentro de mim.

Isabel, Fernanda, Paula, Glória

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