sábado, 15 de maio de 2010

Carta a ti, pai

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Deixa-me contar-te...

As rosas do teu jardim continuaram a florir,
Mas sem o brilho intenso e meigo, que te ofereciam a ti

Os pássaros na tua velha oliveira continuaram a morar,
Muito breves, logo partem com olhar desconfiado
Também eles sentem a tua falta

Os girassóis continuaram a abrir, seguindo atentos o Sol,
Mas sem sorriso. Sérios, distantes...

A tua cadeira repousa, sozinha no mesmo canto do jardim,
Quieta, vazia e só...

Sabes, se calhar são os meus olhos...
Será que a dor, sorrateira
Lhes terá roubado o brilho?

A ti te escrevo…
Tinha tanto que contar-te!

As crianças cresceram. Lembram-me a mim
Quando eras tu, então, quem me via crescer.

E é bom rever o teu olhar
Todo debruado a sonhos...
Os teus gritos de alegria,
O teu abraço forte e firme,
Naqueles momentos em que os meus pequenos feitos
Tu transformavas em momentos de glória.

Que bem me sabia...
E ainda me sabe, de cada vez que os encontro
Guardados nesta saudade…

Fica bem por aí
Nós por cá, todos bem.


PS: Sempre que for ver o mar, levar-te-ei comigo.




Mónica Suarez

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