Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.
E eu, impaciente, resmungo-lhes:
O que vos interessa, seus curiosos?!
Quero ser um radiopedagogista,
Radiografar a vida da rebelde criança,
Inteirar-me do seu complexo ambiente familiar,
Nadar nos pântanos da sua insistente teimosia,
Compreender o vazio que a enforma
E moldar, estas mãos esfaimadas de acção pedagógica,
O seu frágil carácter irreverente!
E ela ficará eternamente agradecida com o meu desempenho,
E eu pedirei licença para da sua beira sair,
Porque tenho à minha espera uma malandreca
Que está prestes a cair!
António Azevedo
domingo, 23 de maio de 2010
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