sexta-feira, 14 de maio de 2010

Carta



Há muito tempo, sim, que não te escrevo, mãe. Partiste sem avisar e, entre nós, tanta coisa ficou por dizer… (porque Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora…) Agora, olho para trás e recordo as carícias, tão leves, que fazias no meu rosto. Como era macia a tua mão e suave a tua voz, quando me dizias «Descansa, vai correr tudo bem!». No mais fundo de mim, eu sei que te traí, mãe, quando saí da moldura e fui com as aves e com o vento. A vida depressa tomou o teu lugar e as rugas tomaram conta do meu rosto. Não tive tempo. Não tive ocasião. Não tive palavras para te dizer o quanto eras importante.
Ralha, pois, comigo, mãe, mas ralha assim como quem beija, como fazias quando eu era ainda o teu menino.

Fernanda C.
(8/5/2010)

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