
Há muito tempo, sim, que não te escrevo, mãe. Partiste sem avisar e, entre nós, tanta coisa ficou por dizer… (porque Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora…) Agora, olho para trás e recordo as carícias, tão leves, que fazias no meu rosto. Como era macia a tua mão e suave a tua voz, quando me dizias «Descansa, vai correr tudo bem!». No mais fundo de mim, eu sei que te traí, mãe, quando saí da moldura e fui com as aves e com o vento. A vida depressa tomou o teu lugar e as rugas tomaram conta do meu rosto. Não tive tempo. Não tive ocasião. Não tive palavras para te dizer o quanto eras importante.
Ralha, pois, comigo, mãe, mas ralha assim como quem beija, como fazias quando eu era ainda o teu menino.
Fernanda C.
(8/5/2010)
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