segunda-feira, 17 de maio de 2010

MÃE



MÃE

Mãe:
Hoje deixa-me falar-te do mundo e das desditas do mundo
Que as datas não compreendem.
O que eu quero nesta data, sabes o que é?
O que eu quero é mudar o mundo, mãe!
Não podes ver os meus olhos, mas eu vou dizer-te:
Olham na mesma direcção dos teus.

Quando eu nasci
Ficou tudo como estava,
Não houve nada de novo,
Somente a minha mãe sorriu e agradeceu.

Mãe:
Põe-me embrulhada nos teus braços,
No xaile do afecto!
Passa a tua mão pela minha cabeça
Pois, é tudo tão verdade!

Eu nasci de ti,
Como a flor da Terra!

Porque Deus permite
Que as mães se vão embora?
Fosse eu rei do mundo, baixava uma lei:
“Mãe ficará sempre junto do seu filho.”

Mãe!
Que visita tão pura me fizeste
Neste dia!
Não me esquecerei de nada
Guardo a tua voz dentro de mim.
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias
Que ainda não viajei…

Mãe, dá-me a lua!
Mãe, dá-me um dia sem chuva!
Para que o possamos namorar
E tomar um duche da sua luz.

Sobe alto, à medida da tua altura
E não vaciles, até ao astro-mor, Mãe!
Morrer acontece,
Como o que é breve e passa,
Mãe, na sua graça, é eternidade.


Fátima Mateus; Judite Jorge; Rosa Barros

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